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sábado, 30 de abril de 2011

A MORTE DE SÓCRATES


                                            A MORTE DE SÓCRATES   470  x  399  a.C.
            A   2.400 anos ele disse: "Eu sou a minha alma". Isto demonstra que já sabia que a alma é imortal.
Pelas ruas de Atenas, envolto num áspero manto, com pés descalços e cabeça descoberta, vagava Sócrates distribuindo sabedoria. Era um homem fisicamente feio, mas manso e dócil como um santo. Tinha a profissão de escultor que pouquíssimas vezes exerceu, pois preferia esculpir sábias palavras.
Pouco se preocupava com as dificuldades financeiras de sua família. Cuidava dos negócios alheios e esquecia os seus. Nas infreqüentes visitas que fazia à casa de sua mulher Xantipa, era recebido com tempestades de palavras ásperas, que sábiamente  ignorava. Sua maior ambição era ser benfeitor da humanidade. Sua bondade era tão grande quanto sua sabedoria. Desejava ver a justiça social ser exercida em todo o mundo. Os políticos detestavam encontrá-lo para não terem de responder perguntas embarassosas. Para sua esposa Xantipa era um preguiçoso, mas para os jóvens atenienses era um deus. Estes adoravam ir ao seu encontro para escutá-lo, cheios de admiração. Para transmitir saber, ele costumava  instigar o pensamento de seus interlocutores, sem, no entanto, jamais responder diretamente suas perguntas. 
Sócrates sentia especial prazer em chamar a atenção para aqueles que pensavam uma coisa e diziam outra, e também aqueles que diziam ser sábios quando, na verdade, não passavam de tolos ignorantes. Costumava chamar a si mesmo de "moscardo" (moscão). Tinha a habilidade de estimular as pessoas a pensarem. Outro apelido que costumava dar a si mesmo era de "parteira intelectual", porque auxiliava as pessoas a dar nascimento às suas próprias idéias, incentivando o uso do próprio pensamento. Com muita insistência afirmava que nada sabia. Dizia : "Sou o homem mais sábio de Atenas porque sei que nada sei".
Toda a essência do ensinamento de Sócrates pode ser resumido  nas seguintes palavras: "Conhece-te a ti mesmo". Ele tentava sempre aprender com todos e neste pocesso, ensinava a seus mestres. Costumava dizer que o saber é uma virtude; que os homens cometem crimes porque são ignorantes, não conhecem outra coisa melhor.
Diferentemente do filósofo Lao-tze, acreditava que o melhor remédio para o crime é a educação. O objetivo maior de sua vida era ensinar os outros. Infelizmente, dizia ele, nem todos queriam ser educados.
Um dia, ao chegar ao mercado para seu costumeiro debate filosófico, deparou-se com um aviso colocado na tribuna pública que dizia: "Sócrates é criminoso. É ateu e corruptor da mocidade. A pena de seu crime é a morte".
Foi preso e julgado pelos políticos, cuja hipocrisia costumava denunciar nas praças públicas. Ao ser interpelado pelos juizes, recusou-se a defender-se dizendo que sua obrigação era sempre falar a verdade. Os juizes o consideraram culpado. Quando lhe perguntaram qual devia ser sua punição, ele sorriu sarcasticamente e disse: "Pelo que fiz por voz e pela vossa cidade, mereço ser sustentado até o fim de minha vida à expensas públicas". Foi condenado á morte.
Durante trinta dias foi mantido numa cela  funerária. Mesmo diante da morte, permaneceu calmo e discutindo tranqüilamente o significado da vida e o mistério da morte.
Critom, o mais ardente dos seus discípulos, entrou furtivamente na cela e disse ao mestre: "Foge depressa, Sócrates!"
- Fugir por que? Perguntou-lhe.
- Ora, não sabes que amanhã vão te matar?
- Martar-me? A mim? Ninguém pode me matar!
- Sim, amanhã terás de beber a mortal taça de cicuta - insistiu Criton. - Vamos, foge depressa para escapares à morte!
- Meu caro amigo Criton - respondeu-lhe - que mau filósofo és tu! Pensar que um pouco de veneno possa dar cabo de mim...
Depois puxando com os dedos a pele da mão, Sócrates perguntou: - Critos, achas que isto é Sócrates?
E, batendo com o punho no osso do crânio, acrescentou: - Achas que isto aqui é Sócrates?... Pois é isto que vão matar, este invólucro, mas não a mim. EU SOU A MINHA ALMA. Ninguém pode matar Sócrates!...
E assim, o mais sábio homem de todos os tempos,  foi obrigado acabar a vida como um criminoso.
Ao beber o veneno, quando já sentia que seus membros esfriavam, despediu-se de todos com as mesmas palavras com que se dirigira aos juizes que o haviam julgado:" E  agora chegamos à encruzilhada dos caminhos, meus amigos, ides para vossas vidas; eu, para a minha morte. Qual seja o melhor dêsses caminhos, só Deus sabe".
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 A morte de Sócrates é maior crime cometido pela democracia.  Quando os homens julgam erradamente seu próximo, a história julgará os julgadores.
Foi assim.
Romeo Zanchett

MENTE CRIATIVA

                                                  MENTE CRIATIVA
A vida é energia criadora. Criar, nada mais é do que imaginar e por em prática.  A imaginação com prática é a força motriz que molda o mundo em que vivemos.
Pascal disse: "A imaginação dispõe de tudo: cria a beleza, a felicidade, que são tudo neste mundo".
Precisamos compreender que somos uma forma de vida e, como tal, somos energia criadora. A Mente Cósmica dotou o homem com poderes naturais de criação física e espiritual, como também com poder diferenciador da razão.
Somos todos criativos, mas o que diferencia o criador do mero espectador é o querer. Só mostra criatividade quem cria.
Não se deve confundir criatividade com talento. Todos nascem criativos, mas em cada um existe uma semente diferente que é o talento. Não existe dois talentos exatamente iguais, tal como não existe feições faciais, impressões digitais e personalidades iguais.
A mente é um dos poderes invisíveis e é tão cmplexo que nossa inteligência ainda não é instrumento capaz de compreender sua forma estrutural  e operacional. Os pensamentos criam tudo, desde os atos mais simples, como, por exemplo, um gesto ou um sorriso, até projetos complexos e mais sofisticados que existem.
Ninguém pode ver o ar, mas todos sabem que ele existe e conhecem seu poder. Também a Mente Universal é invisível e tem poderes ilimitados e desconhecidos, mas ela só é capaz de produzrir ação se o mentor acreditar  no que quer conseguir. É aquilo que comumente chamamos de fé.  A fé é a confiança em alguém  ou alguma coisa. Sem este poder os seres humanos já teriam sido extintos há muito tempo. A fé - acreditar no que deseja - é o que leva as pessoas ao êxito.
"O feitiço e encantamento da imaginação é o poder que dá ao indivíduo de transformar o seu mundo num novo mundo de ordem e prazer. Torna-a a mais valiosa de todas as faculdades humanas." disse Frank Barron.
A imaginação é o pensamento criador e, como tal, impressindível para se alcançar sucesso. O talento e a oportunidade são importantes, mas a concentração e perseverança são indispensáveis.
Nossas vidas são permanentemente afetadas pelo que pensamos. O pensamento existe e é uma força real, mas é invisível. Portanto, tome muito cuidado com o quepensa. 
É difícil definir o que é "pensar". Pensar no futuro é antecipar; pensar no passado é recordar; pensar no presente é viver e resolver os problemas cotidianos.
Pensar com clareza e eficiência é o maior dom de todo o ser humano.
É pelo pensamento que o homem se tornou superior aos outros animais.
Pensar é uma arte que, tal como a música, a pintura e a literatura, deve ser constantemente praticada. Muitas vezes nosso pensmento é nebuloso e falho, mas pior do que isso é não pensar.
Geralmente o motivo por que não conseguimos pensar com clareza é o fato de que ainda não possuímos claro conhecimento do assunto. O ponto de partida de um pensamento é o conhecimento específico do assunto.
Falando de si mesmo, George Bernard Shaw disse: " Há pouca gente que pensa mais do que duas ou tres vezes por ano. Conquistei uma reputação internacional porque penso uma ou duas vezes por semana."
O homem do mundo moderno, geralmente trabalha de forma repetitiva e sem necessidade de pensar. Normalmente isto representa um terso de sua vida que acaba influenciando o restante, criando o hábito de viver automaticamente. A imaginação e criatividade ficam muito prejudicadas.
"Pensar é o trabalho mais difícil que existe e provavelmente é por isso que tão poucos se empenham nele", disse Henry Ford.
Romeo Zanchett
http://expressoespoeticasuniversais.blogspot.com/

quinta-feira, 7 de abril de 2011

MOZART - O PEQUENO GRANDE GÊNIO DA MÚSICA





            MOZART - O PEQUENO GRANDE GÊNIO DA MÚSICA
Muitas vezes o presente escolhe o passado. Foi assim com a música do grande gênio Mozart. Dêle herdamos o passado triunfal, romântico  e celestial. Sua arte justifica nosso romantismo exacerbado. 
Aos quatro anos, o pequeno Wolfgang já queria compor. Aos seis começou a excursionar pela Europa com o pai e a irmã (bem menos virtuosa). Partindo de Salzburgo, sua cidade natal, os Mozart foram a Munique e, de volta a Salzburgo passaram por Viena, onde se apresentaram para o imperador. Nessa época  sua música demonstrava forte influência do, hoje desconhecido, Johann Schober. 
No ano seguinte, em junho de 1763, Mozart iniciou uma fulgurante turnê européia e, após tocar em Bruchelas e no Palácio de Varsailles, em Paris, chegou a Londres em abril de 1764, onde conheceu  Johann Christian Bach, filho mais novo de Johann Sebastian. 
A nova amizade com Johann Christian foi muito impactante e exerceu grande influência em sua música.  Foi na obra do amigo que Mozart, com nove anos, encontrou a vertente que, a partir de então, iria nortear toda a sua obra. Ainda em Londres compôs sua primeira sinfonia -repleta de galanteria- classificada como Opus 16-A.  Esta sinfonia desconhecida até 1981, quando foi descoberta num sótão da Prefeitura de Odense, na Dinamarca - deu início a uma das mais sublimes produções do gênio humano. A partir de então o habilidoso, genial e precoce compositor encontrou, definitivamente, o tom ideal da linguagem com que iria se expressar. O mundo estava atônito ante o jovem prodígio, mas não fazia a menor idéia do que viria a seguir. 
Diante de tanto talento, assim se expressou Franz Joseph Haydn ao pai Leopold Mozart: "Alcançar o céu é coisa maravilhosa e sublime; mas também na Terra há coisas incomparavelmente belas". E continuou dizendo: "Diante de Deus, e como homem honesto, afirmo que seu filho é o maior compositor que conheci pessoalmente ou por nome. Ele tem gosto e, o que é melhor, o mais profundo conhecimento de composição". 
De volta a Salzburgo, o velho Leopoldo Mozart aprofundou os estudos, procurando contemporizar o aprendizado do filho com as novidades vistas durante as duas primeira viagens. Mas, como diz Kassner, "o caminho que conduz à intimidade e à grandeza passa pelo sacrifício", e Mozart não seria exceção. Aos 11 anos, e de volta a Viena, Wolfgang entrou em contato, pela primeira vez, com a mesquinhez humana, sofrendo difamações que sugeriam não ser ele, e sim o pai, o autor de suas composições. 
A cada dia suas obras se tornavam ainda mais perfeitas, imbuídas de um sopro divino e de uma profundidade temática incompatível com a sua pouca idade. Foi então submetido a rigorosos testes pelos músicos da corte e se saiu muito bem. Mesmo assim, seus invejosos caluniadores não se conformaram. 
Em 1769, com apenas 14 anos e idade, Mozart empreendeu mais uma viagem que lhe renderia preciosa experiência. Deixando Salzburgo, foi á Itália, apresentando-se em Verona, Mântua, Milão, Bolonha, Florença, Nápoles e Roma, onde foi ouvido pelo papa. Novamente foi alvo de admiração e desconfiança, tendo de provar mais uma vez seu talento. Cercado por uma junta de músicos italianos, Mozart compõe em tantos estilos quantos lhe são encomendados. Diferentemente do que ocorreu em Viena, uma vez provada a sua competência, os mestres italianos se maravilharam com o jovem prodígio. Em 1770, Mozart estríeia no Scala de Milão sua primeira ópera, "Mitridade", "Re di ponto", feita por encomenda e essencialmente latina.  Tudo ficou tão perfeito que até poderia ser confundida com obra de algum grande compositor italiano da época. A partir de então a música italiana exerce profunda influência em sua obra.
É muito comum atribuir a Mozart a imagem de um homem infantil e de vida desregrada e fútil. Gastava despropositadamente, bebia, jogava e possuia uma vida sexual ativa e estravagante. Parecia saber que morreria cedo com a certeza de que da vida nada se leva, mas nela se pode deixar muitas coisas. 
Muitos biógrafos costumam, nas entrelinhas, cobrar do gênio uma atitude mais correta. Mas, se tivermos um pouco de bom senso, comprenderemos que Mozart nada deve à humandade. Ao contrário, nós é que devemos muito a ele.
Sua vida foi construída com muitas virtudes, entre elas a incansável dedicação ao trabalho. Entre quase oitenta obras, estão os sons mais belos já criados na face da terra. Ele conseguiu compor em todas as mídias da época. Certamente ficaria surpreso ao saber que hoje, passados mais de trezentos anos, sua música ainda está sendo ouvida com crescente entusiasmo. O tempo não apaga a música divina composta para deuses e também para simples mortais. Música para a vida, para o amor, para a alegria e para a tristeza da morte. Mozart não foi um transformador da música, como muitos pensam, mas sim glorificador da arte musical. Ele tomou a música do seu tempo e elevou-a a um grau de perfeição absoluta, preenchida de alegria, espontaneidade e graça celestiais. 
Com sua rebeldia espontânea e quase infantil, ele não foi um revolucionário no sentido estrito da palavra.  Como afirmou Beethovem, "a música diz mais que a filosofia". E é por aí que devemos medir o angajamento político da obra de Mozart. Na verdade a sua revolução se deu a nível estético e conceitual, fruto de sua extrema sensibilidade e da universalidade dos sons por ele criados. 
Qundo opovo aplaudia Mozart ao final de cada função de "A Flauta Mágca" estava, de fato, aplaudindo o triunfo dos ideias da Revolução Francesa e não apenas o gênio perfeccionista. Precisamos ver sua alienação política como expressão de uma transformação social através da música. 
Curiosamente a vida de Mozart fez ocaminho inverso da maioria dos artistas. Conheceu a glória e consagração muito cedo, aplaudido por papas e imperadores. Mas, talvez, por capricho dos deuses, começou a transformar-se em tragédia. Passou a conviver com a mais objeta mediocridade, e a merecer de seus contemporâneos a indiferença, o escárnio e um ódio que não se pode endender e nem explicar.
Vivendo em Viena, longe da proteção paterna, o pequeno semideus foi jogado às feras. Muito jóvem, sem experiência para a vida, foi obrigado a defender-se numa corte corrupta, vivendo diariamente com sentimentos mesquinhos que não conseguia compreender. Suas obras eram freqüentemente boicotadas. As "Bodas de Fígaro" foi ao palco apenas nove vezes.  "Dom Giovane" apenas cinco. Enquanto isso, os queridinhos da corte, compositores medíocres que hoje nem mais lembramos os nomes, tinham suas mediocridades exibidas em centenas de funções. 
A morte deMozart ocupa um capítulo muito polêmico. Sabe-se que morreu envenenado, mais muitos  ainda duvidam dessa versão. Alguns historiadores costumam atribuir sua morte ora ao a discípulo Sussmayer -pretensamente amante de sua mulher Constanze-, ora a Antonio Salieri, considrado um dos maiores rivais de Mozart na côrte vienense. Este chegou a confessar, mas persiste a dúvida porque na ocasião já estava internado em um hospício. 
Diante de tantas polêmicas e dúvidas podemos afirmar que, na verdade, Mozart morreu envenenado pela inveja  mesquinharia de seus contemporâneos. 
Em relação à sua saúde física não há dúvidas de que estava mesmo muito doente. Sofria de infecções do aparelho respiratório, lesões corporais, amigdalite, toxemia grave, pneumonia, febre tifóide, reumatismo, febre reumática, varíola, abscesso dental, bronquite, icterícia, infecções virais e, de acordo com cada biógrafo, outras tantas doenças orgânicas. Seu estado psicológico e baixa imunização, levaram o grande gênio divinal a uma situação lastimável. Era um anjo vivendo no inferno. 
Muito se critica sua mulher Constanze chamando-a de adúltera e frívola, além de muitas calúnias nunca provadas. Mas ela tinha suas qualidades. Foi ótima companheira, tanto em casa como nas farras que faziam juntos, além de gerenciar, a seu modo, os afazeres domésticos. 
A morte de Mozart ocorreu no auge de sua maturidade artística. Três anos antes, no espaço de algumas semanas, compos as sinfonias 39, 40, chamadas de aquaticas (nome dado por ter sido executadas em um palco flutuante sobre o Rio Danúbio) e 41, conhecida como Júpter pela grandiosidade. 
Mesmo com tantos problemas, no ano de sua morte, conheceu o triunfo de sua ópera "A Flauta Mágica"  exibida para o povo simples de Viena que aplaudiu soberbamente. 
A história de  sua última obra "Requiem", inacabada, é cercada de lenda e mistério. É certamente uma das obras mais sublimes do gênio humano. Conta-se que teria sido encomendada por um senhor mascarado que bateu em sua porta numa noite de inverno. Mozart ficou muito impressionado com aquela encomenda, acreditando que era o mensageiro da morte e lançou-se incansavelmente ao trabalho. Na verdade tratava-se do emissário de um nobre excêntrico que costumava encomendar peças a grandes compositores para executá-las como se fossem de sua autoria. 
Pouco antes de morrer, já completamente surdo, Mozart disse a Constanze: Não sei descrever o que sinto"; uma sensação de vazio que me magoa horrivelmente; uma espécie de ansiedade constante, e que aumenta a cada dia". Era a morte lenta, do anjo envenenado, que agora batia à sua porta. 
Morreu aos 35 anos no dia 5 de dezembro de 1791. Foi enterrado em uma vala comum, junto com 14 mendigos e dois suicidas. Chovia e nevava muito. Os poucos amigos e parentes que compareceram à igreja não quizeram acompanhar seu corpo até o cemitério. 
Mais tarde, Constanze voltou a São Marx à procura do  jazigo do marido, mas o coveiro que fizera o enterro havia morrido e ninguém mais sabia dar informações. 
Até hoje não se sabe onde se encontra o corpo do anjo que subiu ao céu deixando na terra a eterna sublimidade de sua obra que tanto amamos. O pequeno Mozart morreu e nos legou um gigantesco e sublime trabalho que sempre o manterá entre nós.
Nicéas Romeo Zanchett

 

quarta-feira, 6 de abril de 2011

AS ORIGENS E LENDAS DO NATAL

                       AS ORIGENS E LENDAS DO NATAL 
                  Historicamente o Natal teve sua origem das festividades da brunália pagã -25 de Dezembro- que era uma orgia em homenagem a Saturno, que por sua vez, mais tarde deu origem ao carnaval em outra data.
                 No hemisfério norte, o solstício  de inverno ocorre entre os dias 21 e 22 de Dezembro, quando o sol atinge o seu afastamento máximo da linha do Equador, tornando as noites mais longas e marcando o início do inverno. Mitraistas estabeleceram o dia 25 de Dezembro, data do Natalis Solis Invicti, ou nascimento do sol invencível, como a do nascimento de Jesus Cristo. Entretanto, na bíblia não há nenhum mandamento ou instrução para celebrar o nascimento de Cristo. No ano 1955, falando sobre Jesus Cristo para um Congresso Internacional de História em Roma, o Papa Pio XII disse: "Para os cristãos, o problema da existência de Jesus Cristo concerne à fé e não à história". 
                  Acredita-se que a tradição de montar uma árvore de natal em cada casa tenha surgido em 1530, na Alemanha, com Martinho Lutero. Esta tradição foi trazida para o continente americano por alguns alemães durante o período colonial, quando estes vieram morar na América.
A festa de natal teve sua origem na Igreja Católica Romana a partir do século IV, e daí se expandiu ao protestantismo e ao resto do mundo. 
                   O presépio é um altar a Baa, deus supremo da religião fenícia, consagrado desde a antiga Babilônia. É um estímulo à idolatria. Seus adereços são simbologias utilizadas na festa do deus sol. A tradição da montagem do presépio teve início com São Francisco de Assis, no século XII. 
                   O Brasil, que é um país com maioria cristã, comemora a abertura do natal com a "Missa do Galo" que é celebrada diante de um presépio e suas figuras relacionadas à Babilônia. 
Quanto ao bom velhinho, Papai Noel, os estudiosos afirmam que foi inspirado no bispo chamado Nicolau, que nasceu na Turquia em 280 d.C. Ele era um homem de bom coração que costumava ajudar as pessoas  pobres, deixando saquinhos com moedas próximos às chaminés das casas.  
                    Depois deste breve histórico, podemos dizer que falar de Natal é falar de Jesus Cristo. Passados vinte séculos, seu nome continua vivo e sua presença marca a esperança, a vida e a fé de todo o mundo civilizado. Sem dúvida, é a Ele que se deve todo este envolvimento psíquico de emoção, compaixão e fraternidade da espécie humana. O ponto crucial desta questão é que Ele representa o grande pregador dos ensinamentos morais, a prática do bem e o amor ao próximo, independente das convicções religiosas. 
                     A real existência de Jesus Cristo tem sido posta em dúvida desde o século II de nossa era. Provas históricas e científicas são procuradas com o objetivo de fundamentar a crença. As bibliotecas e museus guardam escritos e documentos de autores que teriam sido contemporâneos de Jesus, mas nenhuma referência é feita a Ele. Os documentos oferecidos pela igreja não foram aceitos pelos historiadores que põe em dúvida sua autenticidade. Na verdade, os homens estiveram divididos em duas posições: a dos que afirmam sua existência e dos partidários da posição contrária, que afirmam ser Ele uma entidade idealizada, criada apenas para fazer cumprir as escrituras, visando dar sequência ao judaísmo que então morria, surgindo uma nova crença. Esta divergência data do século II quando judeus ortodoxos e alguns homens considerados sábios e formadores de opinião, começaram contestar a veracidade de sua existência.
                      Quando ainda cativos na Babilônia, os sacerdotes judeus, que representavam a nata social do seu meio, escreviam sobre tudo o que achavam interessante em matéria de costumes e crenças religiosas. Mais tarde compeliram tudo em um só livro que recebeu o nome de "Talmud" - livro do saber, do conhecimento e da aprendizagem.  Quando os judeus chegaram a Roma e Alexandria, ali só havia uma religião oral, portanto sem registro escrito. Isto facilitou a introdução de suas práticas religiosas como também suas superstições. Dessa conjuntura nasce o cristianismo com o máximo de mistificação religiosa de que foi capaz a mente humana da nossa época, a era cristã. Com grande habilidade, os judeus conseguiram implantar o cristianismo que logo entrou no gosto popular, penetrando na casa dos mais humildes, dos poderosos senadores e, inclusive, dos palácios imperiais.  Dizem os historiadores que Crestus, o Messias dos assênios, teria dado origem ao nome  Cristo, cristão e cristianismo. Os assênios tinham grande simpatia do povo por terem estabelecido uma instituição comunal, em que os bens pessoais eram igualmente de todos e para todos. No seu sistema, as necessidades de cada um eram responsabilidades de todos. 
                     Alguns historiadores afirmam que o cristianismo nasceu na Alexandria e não em Roma ou Jerusalém, e dão a entender que nasceu das ideias de Filon que, platonizando o judaísmo, escreveu boa parte do Apocalipse. É a mesma transformação que o cristianismo dera ao judaísmo introduzindo-lhe o paganismo e a idolatria. 
                     Independente de suas origens, ideologias e crenças, a verdade é que os cristãos foram muito perseguidos pelas suas práticas religiosas. Segundo Tácito, judeus e egípcios foram expulsos de Roma por formarem uma mística superstição. As expulsões ocorreram duas vezes no tempo do Imperador Augusto e a terceira vez no governo de Tibério no ano 19. Naquela época ainda não era conhecido o nome de Jesus Cristo e o nome cristão aplicava-se a superstição judaico-égípsia que mais tarde foi confundida com o cristianismo. 
                    O imperador Dioclessiano (245 x 313) passou para a história como o maior assassino dos cristãos. Do ano 303 a 312 ele mandou matar mais de 20 mil devotos. Naquela época a população mundial não chegava a 250 milhões de pessoas - equivalente a mais ou menos a atual população do Brasil-. Com o aparecimento de Constantino (Flávio Valérius  Constantino) - O Grande - Imperador romano - (272 x 337)- filho de Constâncio, que foi levado ao poder pelo seu exército, o cristianismo tomou força e um novo rumo.   Roma estava dividida e a desordem imperava. Constantino queria unificá-la e tornar-se seu único imperador. Disputava o poder com seu inimigo Maxêncio. Para vencê-lo precisava da ajuda dos cristãos e como era um hábil estrategista, disse a todos que, após ter visto no céu uma cruz onde estava escrito "tout o nika" -triunfa por meio desta-, havia se convertido ao cristianismo. Obtendo apoio dos cristãos,  em 213 às margens do rio Tibre, venceu Maxêncio, tornando-se o único imperador romano. Mesmo dizendo-se cristão, Constantino nunca se batizou. 
                     Com o imperador declarando-se cristão devoto, o cristianismo ganhou força. O imperador, satisfeito com os resultados, foi aos poucos imbuindo o espírito cristão nas leis romanas. Suprimiu o sacrifício da cruz, os combates de gladiadores e favoreceu a libertação dos escravos. Intitulou-se protetor da igreja e defensor da fé ortodoxa, elegendo-se como o primeiro Papa -chefe da igreja-. Construiu muitos templos -igrejas- e reuniu o Concilio Ecumênico de Nicéia em 325. Nele se reuniram bispos para discutirem duas opiniões constantes: aquela do padre alexandrino Ário que sustentava a doutrina de que Jesus Cristo era semelhante ao Pai, mas não era eterno como este, e aquela do bispo Atanásio da Alexandria que afirmava que Jesus Cristo não era criatura, mas sim substância divina. O Concilio, que foi o primeiro a receber o nome de Ecumênico, ou seja, universal, condenou a doutrina "herege" de Ário e aprovou a de Atanásio. No início do cristianismo os evangélios eram em número de 316 e o Concilio de Nicéia selecionou-os reduzindo-os para apenas  4, que hoje são conhecidos. 
                   Ao longo da história, o imenso poder do Vaticano tornou difícil a liberação do homem da tutela religiosa. Os partidários de posição contrária eram excomungados, perseguidos e até mortos impiedosamente. Muitas guerras foram motivadas por questões religiosas. 
Apesar de todos os problemas vividos ao longo da história, real ou idealizado, o nascimento de Cristo vem comovendo a humanidade a vários séculos. O que mais importa é que  o nome de Jesus Cristo está  no coração das pessoas e esta força é capaz de destruir barreiras entre pais , filhos e irmãos, reaproximando-os no amor através do espírito natalino. Em todo o mundo as pessoas, das mais diversas religiões, dão uma pausa em seus afazeres e congratulam-se festivamente. Em muitos lugares até a guerra é interrompida nos dias de natal e ano novo. 
O Natal é a festa que mais traz benefícios humanitários para o mundo em que vivemos. Brindemos a isto!
Nicéas Romeo Zanchett 
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sábado, 2 de abril de 2011

DIREITOS DAS MULHERES JAPONESAS E CHINESAS

              DIREITOS DAS MULHERES JAPONESAS E CHINESAS 
Em 1868, era do "meji" ou da paz esclarecida, teve início no Japão a reforma legislativa que proclamou a igualdade de direitos dos dois sexos, mas ainda por vários anos se conservou a estrutura patriarcal da família. Só a partir de 1944 tiveram as japonêsas o direito de voto e, em 1947 foi-lhes permitida instrução no mesmo nível dos rapazes. Já em 1954 uma mulher ensinava na Faculdade de Direito de Tóquio. 
Nos dias atuais a mulher japonêsa participa do progresso econômico do país trabalhando em todas as profissões. Hoje elas circulam nas ruas vestidas em roupas ocidentais, inclusive calças esporte.  Mas, de vez em quando ainda se vê passar na rua uma figura alta e nobre nos trajes típicos do passado, a máscara do rosto pálida e imóvel, o sorriso delicado das damas antigas, quando o leque permite que se possa vislumbrá-lo. Em casa, em geral, todas as mulheres ainda vestem quimonos. No fundo elas gostam da tradição. 
Já na China o movimento de libertação feminino só desencadeou-se em 1931, quando a revolução nacionalista proclamou o "Código da Família" e conferiu às mulheres o direito de terem bens; estabeleceu idades para o casamento de livre escolha; aos 15 anos para as moças e17 anos para os rapazes; assegurou a penalidade de divórcio e a proteção dos filhos. Como restante da soberania masculina ficou apenas o privilégio da custódia das crianças nos casos de separação dos casais.  Vetou-se aos maridos o direito de terem concubinas com consentimento tácito das espôsas. 
A revolução sexual do século XX atingiu o país chines desmantelando a estrutura secular da família patriarcal escravagista do sexo feminino. 
A participação da mulher na produção do país garante hoje sua independencia civil.
Nicéas Romeo Zanchett 
http://amoresexo-arte.blogspot.com





MARC CHAGAL - O PINCEL DA LIBERDADE





                 MARC CHAGALL - O PINCEL DA LIBERDADE 
O pintor Marc Chagall nasceu em 07 de junho de 1887 em Vitebsk - Bielorrussia, e faleceu em Saint-Paul  de Vence - França, em 28 de março de 1985. 
Iniciou sua formação artística ao entrar para o ateliê de um famoso retratista de sua terra natal. Em 1908 estudou na Academia de Arte de São Petersburgo rumando em seguida para Paris. 
Na cidade luz conheceu diversos artistas como Amadeo Modigliani e La Fresnay, entrando em contato  com as vibrantes cores da vanguarda modernista. Trabalhou intensamente para integrar suas fantasias coloridas na linguagem moderna do Fauvismo e do Cubismo. Contudo, foi a obra modernista de Guilherme Apolinaire, de quem se tornou grande amigo, que mais marcou sua trajetória artística. 
Em 1914, quando explodiu a guerra, Marc Chagall volta ao seu país de origem, onde foi mobilizado para as trincheiras. No ano seguinte casa-se com Bella, uma jovem que conheceu em sua aldeia, permanecendo então em Petersburgo. 
Em 1917 foi nomeado comissário de belas-artes do governo de Vitebsk, onde fundou uma escola aberta a todas as tendências artísticas, demitindo-se após entrar em conflito com o pintor Malevitch. 
Em 1922 retorna a Paris, onde, por encomenda do editor Ambroise Vollard, executa 96 gravuras de ilustração bíblica para a edição de "Almas Mortas" de Nikolai Godol, que só foram publicadas em 1949. 
Chagal encontra na Bíblia a mais abundante fonte poética de todos os tempos.  Um verdadeiro eco da natureza. Atravéz das imagens dos profetas e patriarcas de Israel, compõe um canto de liberdade transpondo elementos do universo mítico judaico para o modernismo da arte. Chagal, nascido de uma família profundamente religiosa, desde cedo participou deste sentimento místico e pietista que almeja a comunhão constante entre o homem e Deus. Daí o fato de sua ilustração bíblica não ter um caráter didático. Chagall não praticava um judaísmo teórico e por isso o seu trabalho mostra uma Bíblia eminentemente humana, capaz de comover e possibilitar uma comunhão entre o mundo real e o imaterial.  Com este trabalho Marc Chagall realiza um feito único,atualizando a tradição como se os fatos da sagrada escritura estivessem acontecendo naquele momento. Seu pensamento modernista conseguiu transpor para sua obra um novo visual para o Velho Testamento, com vultos bíblicos plasmados pela profundeza de sentimento e qualidade humana. Para enrriquecer sua obra com maior veracidade, em 1931 o artista vai á Terra Santa em busca de contato com o solo onde se iniciou uma das mais fecundas aventuras religiosas da humanidade. Jerusalém lhe fornece a atmosfera e a intensidade emotiva  para suas ilustrações.  Em 1939 morre Vollard que encomendara a obra. Chagall  já havia terminado 66 placas e tinha outras 39 esboçadas. Foram 105 gravuras em metal que levaram anos para serem executadas. 
Estoura a Segunda Guerra Mundial e o trabalho fica interrompido, sendo reiniciado somente em 1952 econcluido em 1956. 
Chagall foi um homem persistente, cultuando amor e esperança, e sempre defendendo o direito primordial de toda a humanidade à plena expressão da espiritualidade. 
As águas-fortes com que Chagall ilustrou a Bíblia, talvez sejam sua mais rica contribuição à arte gráfica que a torna sua obra prima. Num mundo tão conturbado pelas guerras, a arte de Chagall representa o grande anúncio da paz. 
Em 1947 regressa definitivamente para a França, onde cria vitrais para a sinagoga da Universidade Hebraica de Jerusalem. Em 1958 cria os vitrais para a catedral de Metz. 
Em 1952 foram publicadas as 100 gravuras ilustrando as Fábulas de La Fontaine por ele produzidas em 1927.
Na França e nos Estados Unidos, além de pinturas e vitrais, produziu mosaicos, cerâmicas e projetos de tapeçaria. 
Em sua homenagem, em 1973, na cidade de Nice - sul da França - foi inaugurado o Museu da Mensagem Bíblica de Marc Chagall. Em 1977 o governo francês condecorou-o com a Grã-Cruz da Legião de Honra. 
Em 28 de março de 1985, na cidade de Saint-Paul de Vence, sul da França, morre Marc Chagall, reconhecido com um dos maiores pintores do século 20. 
Nicéas Romeo Zanchett 
http://marcchagall.arteblog.com.br