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quinta-feira, 11 de agosto de 2016

O CIDADÃO DE UMA DEMOCRACIA - Discuso de Teodoro Roosevelt


O PAPEL INDIVIDUAL DO CIDADÃO
Este discurso foi pronunciado na Universidade de Paris em 1910. 
               Hoje ocupar-me-hei do papel individual do cidadão, assunto que entre todos é de uma importância capital para vós, meus auditores, para os meus compatriotas e para mim, porque vós e nós somos cidadãos de grandes repúblicas democráticas. Uma republica democrática  como cada uma das nossas - que faz esforço para realizar, com toda a força da expressão, um governo do povo pelo povo, e para o povo, - representa a mais gigantesca de todas as experiências sociais possíveis, aquela que, por muitos motivos, tem o dom de conduzir ao maior dos bens ou ao pior dos males. 
               O sucesso ou o insucesso de republicas como a vossa  ou como a nossa, é o triunfo ou a desgraça da humanidade; e para vós como para nós, a questão da qualidade do cidadão considerado como indivíduo, domina todas as outras. Sob outras formas de governo, sob o domínio de um homem ou de um reduzido número de homens, a qualidade dos governantes é a primeira de todas. Se, em tais governos o número desses últimos é suficientemente elevado, o país pode conhecer durante gerações uma carreira brilhante e aumentar a massa do que marca no mundo, por mais medíocre que possa ser o nível do cidadão ordinário; porque o cidadão ordinário é uma quantidade quase desprezível na elaboração dos resultados a que conduz este tipo de grandeza nacional. 
               Mas para vós e para nós o caso é diferente. Para vós aqui, e para nós no meu país, o sucesso resultará, no fim de contas, da maneira como o homem vulgar, a mulher vulgar cumprem o seu dever, primeiro nas situações quotidianas e habituais da vida, mais tarde na hora destas grandes crises que reclamam o concurso das virtudes heroicas.
               Afim de que as nossas republicas alcancem bom êxito é preciso que o cidadão vulgar seja nelas um bom cidadão. 
               A corrente não será capaz, em circunstâncias normais, de se elevar mais alto que a sua fonte originária, e a fonte originária da potência nacional e da grandeza nacional acha-se no valor médio do cidadão. Convém pois que nada  descuremos para que o nível do cidadão vulgar fique elevado, e este nível não pode ser elevado senão quando o dos chefes o é muito mais ainda. 
              Em todas as repúblicas, em todas as democracias acontece que uma grande proporção entre os chefes provém, muito naturalmente, das classes representadas hoje neste  auditório; mas com a condição que estas classes possuam a simpatia do povo e a dedicação a um ideal superior. Vós, e aqueles como vós, tendes gozado de vantagens especiais; tendes-vos encontrado todos em situação de receber uma educação intelectual; tendes podido, na maior parte, aproveitar a vida mais largamente do que a massa dos vossos concidadãos. A vós e àqueles que como vós muito tem sido dado; muito deve ser de vós esperado.  Ha algumas vezes certos desânimos contra os quais convém que os homens  de instrução e de cultura, os homens que herdaram uma fortuna e uma posição social, se ponham eles mesmos em guarda, porque a isso são eles os mais naturalmente inclinados ; e se eles cedem, as suas possibilidades - as vossas possibilidades - de ser uteis, ficam reduzidas a nada. 
               Que o homem de saber, que o homem de ócios letrados, se defenda da singular e mesquinha  tentação de tomar diante dos olhos e diante de si próprio atitudes de cínico, de homem que se elevou acima das emoções e das crenças, e para quem o bem e o mal é tudo a mesma coisa. A pior maneira de encarar a vida é encará-la com a zombaria nos lábios. Há muitas pessoas que tiram um orgulho doentio do seu cinismo, muitas pessoas que não sabem fazer outra coisa senão criticar a maneira como os outros realizam o que eles próprios não se arriscariam sequer a tentar. 
              Não há ser menos são; não há homem menos digno de respeito do que aquele que observa ou finge observar uma atitude de desdém irônico a respeito de tudo o que é grande e elevado, seja pelos resultados atingidos, seja pelo nobre esforço que, mesmo no caso de insucesso, vem em segundo plano, logo a seguir ao êxito pleno 
               Hábitos cínicos de pensamento e de palavra, uma constante disposição a criticar a obra que o crítico não tenha nunca executar, um intelectualismo distanciado que não seria capaz de aceitar o contato com as realidades da vida; todos esses traços são outros tantos sinais, não de superioridades, como o seu possuidor poderia julgar, mas de fraqueza... São a marca das pessoas incapazes de cumprir  como homens o seu dever na austera batalha da vida, e que procuram, afetando o desprezo pelo que os outros realizam, dissimular aos outros e a si próprios a sua própria debilidade. O papel é fácil, nenhum o é mais, salvo no entanto o do indivíduo que zomba ao mesmo tempo do crítico e do homem de ação. 
               Não é o crítico que marca; não é o indivíduo que mostra como o homem forte deu um mau passo ou como o autor de ações teria podido dá-los melhores. O crédito  pertence ao homem que desceu com a sua pessoa à arena, cujo rosto sujo da poeira, do suor e do sangue; que luta energicamente, que erra, sofre um revez, e outro ainda, porque não há esfôrço, sem acompanhamento de erro ou falta; mas que se esforça de maneira a fazer o que deve ser feito, que conhece os grandes entusiasmos, as grandes  abnegações, que se gasta por uma causa digna, que no caso de pleno sucesso conhece finalmente o triunfo da grande obra realizada, e que se acontece o pior, e sofre um novo revez, pelo menos naufraga no decurso dum vasto esforço; de tal modo que o seu lugar não será nunca ao lado destes seres tímidos e insensíveis que não conhecem nunca a vitória nem a derrota. Maldição ao homem  de gosto cultivado que deixa a sutileza de espírito produzir nele um desdém que o torna impróprio às rudes tarefas de um mundo laborioso! Entre os povos livres  que se governam por si próprios não há senão um campo de utilidade muito restrito para as pessoas de vida claustral a quem repugna o contato das outras pessoas. Há menos lugar ainda para aqueles que zombam ou depreciam a obra dos que suportam o peso da vida; ou para estes outros ainda que declaram constantemente que gostariam de se entregar à ação, se as condições da vida não fossem o que elas são. Irônico, pretensioso ou voluptuoso, todo o indivíduo incapaz de ação faz na história a mesma figura mesquinha. Nada há que fazer do indivíduo cuja alma tíbia ignora as grandes e generosas emoções, os grandes orgulhos, as crenças severas, o entusiasmo dos homens que subjugam o raio e dominam a tempestade. Felizes estes homens se conseguem vencer; menos felizes, mas felizes ainda, se sossobram, porque, pelo menos, ter-se-ão 
aventurado nobremente, com toda a sua força. É Hotspur, gasto pela guerra, esgotado pelo rude combate, Hotspur, de erros numerosos e de fim valoroso, de quem nos é grato evocar a recordação na nossa memória, e não o jovem Lord que , se não fosse estes vis canhões, teria sido soldado. 
               A França deu muitas lições  aos outros povos; seguramente uma das mais importantes é a que resulta de toda a sua história, isto é, que um alto desenvolvimento artístico e literário é compatível com uma notável mestria na ciência das armas e na do governo. O brilho da bravura do soldado francês é proverbial desde séculos, e durante estes séculos, em todas as côrtes da Europa os "franc-maçons da moda" adotaram o francês como língua comum, enquanto que todos os artistas, homens de letras e de ciência capazes de apreciar este maravilhoso instrumento de precisão que é a prosa francesa, se voltavam para a França, pedindo-lhe apoio e inspiração. Alonga duração desta superioridade nas armas e nas letras é singularmente  manifestada pelo fato que a mais antiga obra-prima que conta qualquer das línguas modernas, é a esplêndida epopeia francesa narrando a catástrofe de Rolando e a vingança de Carlos Magno, no dia em que os chefes do exército franco caíram em Roncesvales. 
              Que aqueles que tem o conservem, que aqueles que não tem se esforcem por atingir um alto grau de cultura e de instrução. Mas não esqueçamos que comparados a outros bens, estes não vem senão em segundo lugar. É preciso que o espírito seja são e o corpo mais ainda. Mas acima do espírito e acima do corpo há o caráter, aquilo em que se confundem as qualidades que nos vem  ao espírito, quando falamos a força e da coragem de um homem, da sua retidão e da sua noção de honra. Eu tenho fé nos exercícios físicos, contanto, bem entendido, que não esqueçamos que o desenvolvimento físico é um meio e não um fim. 
              Estou convencido, evidentemente, que uma boa educação deve compreender, além do saber tirado dos livos, muitos elementos para ser verdadeiramente boa. Não devemos esquecer que nenhuma acuidade  ou sutileza de inteligência, nenhuma delicadeza de maneiras, nenhuma habilidade poderia compensar a falta das grandes qualidades fundamentais. O domínio de si mesmo, o poder de constranger, o senso comum, a faculdade de aceitar a responsabilidade individual e no entanto proceder de colaboração com os outros, a coragem e a resolução; eis as qualidades pelas quais se reconhece um povo soberano. Sem elas nenhum povo se pode reger a si mesmo, nem a si mesmo evitar que seja regido de fora. 
               Eu dirijo-me a um auditório brilhante, falo no recinto  de uma grande universidade que representa a flor do mais alto desenvolvimento intelectual, Diante da inteligência  e diante de ensinamentos especiais e aperfeiçoados que recebe aqui a inteligência, eu me inclino. E não obstante isso tudo, eu sei que terei o assentimento  de todos vós que me escutais, se  acrescentar que de maior importância ainda são as qualidades comuns e as virtudes de todos os dias. 
                Estas qualidades comuns e de todos os dias compreendem a vontade e o poder de trabalhar, de combater se for preciso, e de ter muitos filhos saudáveis, A necessidade para o homem médio de trabalhar é tão evidente que não é preciso insistir nela. Em qualquer país há poucas pessoas nascida em tais circunstâncias que possam levar vida de qualidade. 
                 Estas mesmas podem desempenhar um papel útil se mostrarem, pelo seu exemplo, que a ausência  dum modo de vida não é sinônimo de ociosidade; porque uma parte do trabalho mais preciso de que a civilização tem necessidade não assegura nenhuma retribuição à queles  que a ele se dedicam, e é preciso naturalmente que eles sejam primeiramente tirados dos meios onde vivem os que não precisam se preocupar com as questões de retribuição. 
                Mas o homem médio deve ganhar sua vida. Deve ser educado com este objetivo e educado de maneira a compreender que fica numa situação digna de desprezo, se proceder de outra forma; que não é objeto de inveja se foram ocioso, qualquer que seja o grau de escala social que ocupe, mas um objeto de desdem, um objeto ridículo.

OS DEVERES PARA COM A NAÇÃO 
               O home de bem, por outro lado, deve ser forte e destemido, isto é, capaz de combater, de servir o seu país como soldado se se apresentar a ocasião. Há filósofos de boas intenções que declamam contra a iniquidade da guerra. Tem razão contanto que seja somente contra a iniquidade que eles insistem. A guerra, é uma coisa horrível, e uma guerra injusta é um crime contra a humanidade, mas é  um crime porque é injusta e não porque é guerra. A escola deve ser sempre a favor do direito, quer a alternativa seja a paz ou a guerra. A questão não deve ser simplesmente: Vai haver paz ou a guerra? A questão deve ser: o bom direito deve prevalecer? As leis da justiça serão mais uma vez observadas? E a resposta de um povo forte e viril será: "Sim. seja qual for o risco." Nenhum esforço honroso deve nunca ser omitido para evitar a guerra, da mesma maneira que nenhum esforço honroso nunca deve ser omitido pelo indivíduo, na vida privada, para evitar uma questão e conservar-se afastado de disputas; mas nenhum indivíduo que se respeita, nenhuma nação que se respeita, devem submeter-se à injustiça. 
                Enfim, de maior importância ainda que a capacidade de trabalho, de maior importância que a capacidade de combater se for preciso, é, para todas as nações a lembrança de que nenhuma vantagem é comparável para ela, há de deixar herdeiros do seu sangue para ocupar a sua terra. 
                Era a benção suprema nos tempos bíblicos e é-o ainda hoje. O pior de todos os flagelos é o flagelo da esterilidade, e as mais rigorosas de todas as condenações devem perseguir a esterilidade voluntária. A mais essencial de todas as necessidades, em qualquer civilização, é que o homem e a mulher sejam pai e mãe de filhos robustos, de maneira que a raça cresça em lugar de decrescer. Se não acontece assim, se sem nenhuma culpa da sociedade, falta o aumento de população, é uma grande desgraça. Se esta falta é de vida a causas calculadas e voluntárias, não é então simplesmente uma desgraça, é um destes crimes de relaxação, de egoísmo, de temor pelas dificuldades, pelo esfôrço e pelo risco, que, com o tempo, a natureza pune mais duramente do que nenhum outro. Se nós, homens de grandes repúblicas; se nós, nações livres, que nos lisonjeamos por nos termos emancipado do jugo da injustiça e do erro, atraímos sobre as nossas cabeças a maldição que fere a esterilidade voluntária, será para nós o mais vão gasto de palavras vangloriar-mo-nos dos nossos altos feitos, e celebramos as obras que temos realizado. Nenhum refinamento de vida, nenhuma delicadeza de gosto, nenhum progresso material, nenhum amontoado sórdido de riquezas, nenhum desenvolvimento encantador da arte e das letras pode,a qualquer respeito, compensar a perda das virtudes fundamentais, e destas virtudes fundamentais a maior é o poder da raça de se perpetuar. 
                O caráter deve transparecer da maneira como o homem cumpre o seu dever para consigo mesmo, e seu dever para com o Estado. O primeiro dever do homem diz respeito a ele e à sua família, e não pode cumpri-lo senão ganhando a sua vida e fornecendo aos seus o indispensável para o  bem estar material; é somente depois que pode esperar construir sobre sólida fundação material  uma alta superestrutura; é somente depois que ele pode ajudar  aos movimentos para o bem geral. Deve encarregar-se, em primeiro lugar, do seu próprio fardo, e só depois disso , o excedente da sua força poderá servir para o conjunto do público. não há nenhum proveito em provocar este riso amargo que significa desprezo, e o desprezo é o que nós experimentamos para com o indivíduo cujo entusiasmo em socorrer a humanidade é tal, que se torna pesado aos outros;que entende fazer grandes coisas pela humanidade em geral, mas é incapaz de assegurar o conforto da sua mulher e a educação dos seus filhos. 
                 Não obstante isto, e dando toda a importância a este ponto, e não somente constatando, mas insistindo no fato de que deve haver, para o indivíduo e para a nação, uma base de bem estar material, insistamos não menos fortemente sobre este outro ponto que o bem estar material não é mais do que uma fundação, e que a fundação, ainda que indispensável, não adquire o seu valor senão quando se lhe constrói em cima a superestrutura de uma vida mais alta. É por este motivo que eu me recuso a reconhecer o multimilionário, considerado em mesmo, o homem que não é senão riqueza, como o valor no ativo de qualquer país, e especialmente do meu. Se ele ganhou ou empregou a sua riqueza de uma maneira que faz dele um homem proveitoso e útil, e é muitas vezes o caso, então, evidentemente, figura no ativo da nação. Mas é a maneira como a riqueza foi ganha e empregada, e não a riqueza por si mesma, que lhe assegura este mérito. 
                  São precisas em negócios como em quase todas as formas da atividade humana, grandes inteligências diretoras. 
                  Nenhum número de inteligências menores poderia substituir aquelas. 
                  Convém que os seus serviços sejam amplamente reconhecidos e recompensados. Mas fujamos de atribuir à recompensa a admiração que devemos ao ato recompensado; e se o que deveria ter sido uma recompensa existe sem que o serviço tenha sido prestado,  a admiração virá então apenas das pessoas de alma inferior. 
                  A verdade é que, depois que uma certa porção de sucesso ou de recompensa material foi obtida, a questão de a aumentar diminui constantemente de importância em comparação com o resto que há de fazer na vida. É mau para uma nação oferecer à vista e admirar um falso gênero de sucessos, e nenhum outro há mais falso do que supor que a divinização do bem estar material em si mesmo e por si mesmo, ofereceria um exemplo a seguir. 
                  O homem que, por qualquer motivo que lhe seja imputável, deixou de prover às suas necessidades e às das pessoas que dependem dele, deve ter presente que falhou lamentavelmente no primeiro dos seus deveres. Mas o homem que, depois de ter ultrapassado o limite do que é necessário para o corpo e o espírito de si mesmo e dos seus, amontoa uma vasta fortuna, para a aquisição ou conservação da qual ele não assegura em troca, a favor da nação, nenhuma vantagem equivalente, esse homem deveria ser forçado a compreender que longe de ser na comunidade um cidadão invejável, é um indigno; que não pode ser admirado nem invejado; que os seus compatriotas de pensamentos retos o colocam muito abaixo na escala dos cidadãos e o abandonam à admiração daqueles cujas aspirações são de um nível ainda mais baixo do que as suas. 
                 De fato, é essencial, sob o ponto de vista da boa qualidade do cidadão, que seja bem compreendido que há certos méritos que nos outros, membros duma democracia, somos levados a admirar em si mesmos e por si mesmos, quando com verdadeira justiça ser julgados dignos de admiração ou o contrário, somente segundo o uso que se faz deles.  Em primeiro lugar entre estes colocarei dois dons muito importantes: o dom de saber ganhar dinheiro e o dom oratório. Do primeiro, do ganho material já falei. 
                 É uma qualidade que, restrita a limites modestos, é essencial. 
                 Também pode ser útil elevada a um alto grau, mas somente quando for acompanhada por outras qualidades; e sem o predomínio destas últimas, aquele que a possui tende a tornar-se um os menos simpáticos que uma democracia moderna pode possuir. 
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BREVE BIOGRAFIA DE Teodoro Roosevelt
             Teodoro Roosevelt, escritor e estadista norte-americano, nasceu em Nova York a 27 de Outubro de 1858 e faleceu em 06 de Janeiro de 1919. Tomou parte na assembléia do Estado Republicano de Nova York (1882 x 1884); em 1886 viu derrotada a sua candidatura à Governador do Estado de Nova York; de 1880 a 1895 foi comissário do serviço civil dos Estados Unidos; de 1895 a 1897 exerceu a presidência do Conselho Superior de Comissários de Polícia; de 1897 a 1898 foi Secretário-Suplente da Marinha. Tenent coronel do primeiro regimento voluntário de Cavalaria  (Rough Riders), combateu em Guasimas a 24 de Junho de 1898 e em São João a 1 de Julho daquele ano, sendo promovido coronel em 8 de Julho do mesmo ano. Eleito finalmente Governador de Nova York em Novembro de 1898 e vice-presidente dos Estados Unidos  em 1900; e pela morte do presidente Mac Kinley, assumiu a presidência em 1901.  Em 1904 foi eleito para continuar na presidência por mais quatro ano, recudando-se a se recandidatar em 1908. Entre outras obras escreveu: A Guerra Negra de 1912 e as Notas de Tomás H. Benton e do Gouverneur Morris. 
Nicéas Romeo Zanchett 



domingo, 19 de julho de 2015

O Mundo Perdido Do Comunismo - O Paraíso Socialista


Não deixem de ver este filme documentário. 







SE VOCÊ É COMUNISTA OU SOCIALISTA DEVE ASSISTIR ESTE FILME. 
Depois da queda do Muro de Berlim as atenções dos comunistas se voltaram para a America Latina, especialmente para o Brasil. 
Por essa razão foi criado o FORO DE SÃO PAULO. 
Nicéas Romeo Zanchett 

sábado, 21 de fevereiro de 2015

COMO FORAM CRIADOS OS DOZE MESES DO ANO -Nicéas Romeo Zanchett


               A criação do calendário que utilizamos surgiu com o aparecimento do Cristianismo. O Imperador Constantino acabou com as crenças pagãs e obrigou a todos seguirem os novos princípios de uma única religião, o Cristianismo. 
               Apesar das determinações do imperador a memória dos deuses e deusas ainda vive em muitas formas e tradições. 
               A contagem do tempo está estritamente ligada aos costumes e instituições dos romanos. Em  nosso calendário, estabelecido por Júlio César, podemos encontrar as línguas árabe e o hebreu que não derivaram os nomes dos doze meses dos deuses romanos. 
Deus Jano.
               O primeiro deus aparece na figura estranha de duas caras, um deus que olha para diante e para traz, e que segura na mão esquerda uma chave: é Jano. Os romanos adoravam Jano num templo que estava aberto durante as guerras e que se fechava quando havia paz. Era o deus dos princípios e dos fins; sempre que um romano devoto pretendia começar ou acabar bem alguma coisa implorava a proteção de Jano. Esse deus  era também o porteiro do céu, e os romanos o tinham como protetor das suas portas e portões. Como a  ano tem doze meses, assim o seu templo tinha 12 portas. A ideia surgida para representar o deus Jano foi muito interessante  e feliz; e assim surgiu o mês de Janeiro. Esse mês é a época em que todos nós olhamos para o passado e planejamos o futuro; pensamos nos erros e acertos para uma vida melhor. 
Februa - a deusa das purificações
                 No segundo mês do ano celebravam-se festas especiais em honra de Juno e Plutão, rei dos infernos; havia lugares especiais para aplacar as almas dos defuntos. Estas festas eram também para espiação para o povo, e chamavam-se februaes (latin). Os romanos consideravam a festa como uma purificação espiritual. Fevereiro é o mês mais curto do ano com 28 dias nos anos comuns e 29 nos anos bissextos. (NOTA- De cada 4 em 4 anos é necessário juntar-se um dia a mais porque o ano realmente tem 365 dias e "6 horas"; 6 x 4 = 24 horas). Portanto essa é uma "conta de chegar". Para se chegar a essa conta, Julio César chamou a Roma o astrônomo Sosigenes que morava na Alexandria. Ele então fez os cálculos e sugeriu que a cada quatro anos se acrescentasse mais um dia no menor mês. 
Marte - deus da guerra. 
                  Marte, o deus da guerra foi escolhido para representar o mês de março. Esse deus é uma figura que passa no cortejo em cima de uma carro de guerra puxado por dois cavalos cujos nomes são Terror e Fuga.  Trata-se de um guerreiro ameaçador, manejando uma comprida lança, levantando para o céu um escudo brilhante e erguendo a sua cabeça divina de forma altiva, iluminada pelos raios do seu capacete. 
                  Para os romanos, Marte era mais que um guerreiro, era um deus que podia conseguir tudo pela sua grande força. A ele pediam chuva e tudo mais, além de consultarem-no sobre suas vidas em particular, sacrificando em seu altar um carneiro, cavalo, lobo e até mesmo abutre. Quando os soldados iam para a guerra sempre levavam galinhas consagradas a Marte; eram aves consideradas sagradas, e antes dos combates davam-lhe milho, que às vezes era comido com avidez e outras vezes eram rejeitados; se comessem era sinal de que Marte os protegeria, mas se rejeitassem estavam indicando má sorte. Marte era associado ao trovão e ao relâmpago, mas estavam convencidos de que era a pequena ave chamada "Pica-pau" que ao bater o tronco da árvore com seu bico barulhento estava confirmando que o deus Marte havia aceito suas súplicas.
Primavera - Sandro Botticelli 
                   O quarto mês do ano é Abril, que na Europa é o período em que se renova a vida nos campos, as árvores cobrem-se de folhas e flores. "Omnia aperit!", exclamavam com admiração, que significa "abre tudo!". Portando não é um deus nem uma deusa, mas sim um um anjo da primavera. Gracioso delicado, meigo e bom, espalhando lindas flores por toda a terra. Os romanos perceberam que neste mês renasciam todas as coisa que haviam desaparecido com o vento e o inverno rigoroso. Diziam "abre-se tudo". E assim surgiu o mês de Abril, na tela acima representado pelo pintor Sandro Botticelli. 
Deusa Maia 
                Depois de Abril vem a deusa Maia, sentada num trono de luz. Seu pai chamava-se Atlas e supunha-se que sobre seus ombros assentava o mundo inteiro. Esse deus tinha sete filhas e a mais célebre era Maia, cujo filho era mercúrio  que imaginavam ser o portador das ordens dos deuses para a terra. Júpiter, o pai de todos os deuses, levou Maia e as suas irmãs e colocou-as como estrelas no firmamento (céu). Supunha-se serem elas formadoras de um grupo de estrelas chamado "as Plêiadas". Portanto, como vemos,  o nome de Maio foi dado em homenagem à deusa Maia. 
Juno - rainha do céu e esposa de Júpiter.
               O mês de Junho tem uma história bem interessante. São duas figuras disputando o sexto lugar. Uma  era a deusa Juno e a outra é um homem, Júnio. Ainda hoje há divergência de opiniões sobre este nome: uns supõe consagrado a Júnio, e outros, que são a maioria, à deusa Juno, esposa de Júpiter. Seu trono de ouro estava junto ao seu marido. Todos os deuses lhe prestavam homenagem quando se apresentavam no palácio de Júpiter; tinha poderes superiores, pelos quais exercia domínio nos fenômenos celestes, produzia trovões nas alturas, desencadeava ventos e mandava nos demais astros. Gostava de passear pelos bosques sagrados num carro puxado por pavões. 
Júlio César - Imperador romano. 
                O sétimo mês do ano foi dado em homenagem a um dos maiores homens que já existiram; foi um grande guerreiro estrategista, imperador de Roma Júlio César. Aqui cabe lembrar uma curiosidade: Houve um tempo em que o ano começava em março e, portanto, este era o quinto mês do ano; os romanos chamavam-no de "quintilius", que significa o quinto. Júlio César não apenas foi um grande guerreiro conquistador de nações, como também criador de leis celebres e escreveu livros imortais. Foi ele que fez uma reforma no calendário já em estado deplorável. É que o tempo e os meses já não se correspondiam como antigamente; a primavera da Europa, por exemplo, vinha em Janeiro e o inverno nos meses que deveriam corresponder à primavera. O mês "quintilius" foi eliminado em sua honra, tomando seu nome, Júlio. 
Otávio Augusto - Imperador 
              O mês de Agosto foi dado em homenagem ao sobrinho de Júlio César, Augusto. Seu nome era Otávio, mas foi mudado e governou os romanos com Marco Antônio e Lepido. Por fim foi imperador e fez muito para o engrandecimento do Império Romano. O povo, na intenção de lhe agradar, mudou seu nome para Augusto, que significa nobre. Nessa circunstância o oitavo mês do ano foi chamado de Augustus. Aqui existe também uma curiosidade; como o mês de Júlio tinha  31 dias e o mês de Agosto só 30, os romanos ficaram preocupados com um possível desagrado a Augusto; assim sendo tiraram um dia do mês de Fevereiro e puseram-no em Agosto.  Por essa razão Julho e Agosto tem 31 dias. A escolha se deu porque os romanos precisavam de uma data para celebrar os feitos de Augusto. No mês de Agosto ele foi eleito cônsul, também por sua dedicação acabaram as guerras e foi neste mês que ele conquistou o Egito. O seu reinado recebeu o nome de "Idade do ouro" porque trouxe paz ao mundo já cansado de tantas guerras; além disso foi um período em que floresceram a arte e a literatura. É bom lembrar que os poetas HORÁCIO E VIRGÍLIO viveram nessa época; fundaram-se então livrarias e construíram-se templos por toda a parte dominada pelo império. Foi no reinado de Augusto que, longe, na Síria, nasceu a criança JESUS MENINO, cujo reinado ainda não acabou e cujo nascimento criou novos costumes e uma nova era. E assim, os dois grandes imperadores romanos ficaram com essa homenagem que chegou até nossos dias. Quanto a Jesus continua imperando e mantendo a cruz de seu sacrifício que é o marco de separação entre o reinado de Augusto e o começo da religião cristã. 

              O primitivo calendário romano tinha apenas dez meses e  começava em março; dessa forma o sétimo mês era Setembro donde vem o nome. Os romanos escreviam VII. Este número lia-se em latim "sptem", de onde derivou September, que em português é o nosso Setembro. 
Calendário Romano

               O nome Outubro vem da palavra oito, cuja origem é o latim "octo". Outubro era o mês das colheitas, em especial da vindima para fabricação de vinhos. No calendário de hoje é o décimo mês, mas no romano, que começava em março era o oitavo. Foi o rei de Roma, Numa, que fixou o princípio do ano no dia 1 de Janeiro; mas, mesmo assim, Outubro continuou tendo o mesmo nome. Tanto os romanos como os gregos celebravam muitas festividades neste mês, principalmente para homenagear as boas colheitas, cujas frutas eram oferecidas às divindades. Em uma destas festas era costume atirar, aos poços e fontes, coroas tecidas de flores e ervas; um tributo às ninfas, a quem tais festas eram consagradas. 
                 Novembro também tem origem no número que é nove -Antigo calendário romano- chamava-se "November". Contava-se entre os mais importantes do ano pelo respeito Á festividades e ritos religiosos; estava consagrado a Diana -deusa das montanhas, dos bosques e da caça -. As festividades começavam com um banquete dedicado a Júpiter e com jogos circenses, chamados assim porque se realizavam no circo. No mesmo mês se celebravam os jogos "plebeus", instituídos para comemorar a reconciliação de patrícios, ou nobres, e plebeus; se ofereciam sacrifícios a Netuno, deus dos mares; nesse mês se faziam as festas "brumaes" (latin), ou do inverno, por começar o tempo chuvoso, nevoento, frio e desagradável na Itália. 
                 O mês de Dezembro era o décimo mês no calendário romano e chamava-se "December" de "decem", dez - o último mês. Dezembro é um mês característico do frio inverno nos países da Europa, e por isso é representado numa paisagem desolada, com caminhos cobertos de neve. Hoje é costume figurá-lo por um velhinho de barbas brancas, que traz brinquedos para as crianças na época de Natal. Para muitos esse velho representa São Nicolau, que viveu no século IV e é considerado como patrono das crianças. Esta ideia origina-se numa lenda segundo a qual São Nicolau teria feito ressuscitar três crianças que haviam sido assassinadas por um bandido. 
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Nicéas Romeo Zanchett